Um Novo Qigong para as Américas?

Michael Winn

Quando encontro um chinês reconheço nele imediatamente as mesmas características físicas da espécie a que ele pertence: uma face, quatro membros, 10 dedos. Sua pele é quase sem pelo, as pernas mais curtas, a altura é diferente mas sei sem sombra de duvida que é um Homo Sapien. Porque então levei tanto tempo para compreender profundamente sua forma de pensar e perceber o mundo, seus princípios e emoções, seus ciclos de alegria e depressão, saúde e doença?

Posso observar que ele é mais sensível as coletivas pressões sociais e não são muito individualizados. Talvez seja curioso, e as vezes indiferente aos olhos da minha maneira ocidental de buscar uma expressão pessoal. Será isto o mistério das raças? Somos todos irmãos, mas ao mesmo tempo temos diferentes memórias ancestrais que afetam profundamente nossas respostas a vida?

Estas diferenças raciais manifestam-se em padrões culturais, e dão origem a perguntas intrigantes sobre a transferência atual da tecnologia do Qigong que está acontecendo entre a China e a América. Será que o conhecimento incrivelmente profundo dos chineses sobre o qi teria surgido de um único padrão genético ou talvez de uma predisposição espiritual de sua raça? O Ocidente já esta considerando a possibilidade de uma nova ciência baseada no "QI", contudo ainda há uma serie de confusões sobre a melhor forma de adaptar as artes chinesas do qi ao corpo e mente dos ocidentais, ao nosso estilo de vida e instituições, particularmente na medicina e seus tratamentos.

Acredito que a cultura sexual e emocional dos americanos esta tentando realizar uma fusão das psicologias profundas ocidentais com a ciência chinesa do qi criando assim, uma nova e poderosa modalidade de qikong. Esta fusão tornará possível controlar a epidemia das depressões, do câncer e de outras doenças terminais e poderá ajudar a curar a praga das doenças mentais, a crise espiritual que se alastra pelo ocidente, e a sensação de alienação e fragmentação pessoal que é compensada pelos vícios das drogas, comidas, emoções negativas e sexo. A medicina Chinesa afirma que as doenças nascem quando o fluxo natural do qi é bloqueado, e é curada quando se restabelece este fluxo de qi e a quietude da mente (shen). Este modelo de tratamento qi dissolve completamente os limites do corpo-mente. Mas já que a mente chinesa e ocidental não funcionam da mesma forma, será que a melhor opção é copiar as modalidades de tratamento qi chinesas?

Alguns artigos recentes do Jornal do Qi chamam a atenção sobre dois enfoques diferentes, que perigam ser polarizados, sobre o futuro da modalidade de qigong nas América. Um deles busca o espirito dos antigos filósofos taoistas e acredita que o tratamento qi não pode e nem deve ser regulamentado pelo governo e por instituições como as escolas. Eles afirmam que a eficiência viva de um tratamento qi depende do talento individual e não pode ser testada por algum exper do lado de fora, mas somente pelos pacientes e alunos do terapeuta que entram em ressonância com o qi ou o shen (espirito) deste terapeuta. O outro enfoque concorda com o modelo da China moderna que exige três anos de programa de treinamento na Medicina Tradicional Chinesa com uma pesada carga horária e com testes de capacidade de emissão de qi e afirma que o mesmo modelo deve ser seguido pela América. Qual dos dois enfoques esta correto?

As doenças seguem a mudança do fluxo de Qi

Eu diria que ambos estão corretos e nenhum está correto. Os dois enfoques estão olhando para o passado e ignorando uma terceira possibilidade: a de que o corpo-mente ocidental esta necessitando e já evoluindo para uma nova modalidade de tratamento Qigong. Pela minha experiência posso afirmar que os ocidentais possuem um sistema físico, emocional, mental e sexual diferentes e possivelmente mesmo espiritual e por isto, manifestam padrões diferentes de fluxo de qi. Isto cria diferentes tipos de doenças que requerem diferente tipos de tratamento qi. Se nos basearmos em ambos os sistemas moderno e antigo dos mestres de qigong, poderemos nos lastrar em seus princípios e caminhar para além deles.

Muitas pessoas pensam que de alguma forma os meridianos da acupuntura são canais fixos e que todos os tratamentos qi usam estes mesmos canais. Meu professor de fitoterapia, Jeffrey Yuen pesquisa e lê em chinês, antigos textos médicos chineses escritos em diversos períodos históricos. Ele afirma que muitos pontos de acupuntura e mesmo alguns meridianos, mudaram de localização no decorrer dos tempos com a mesma freqüência que mudaram os médicos e seus pacientes. Por exemplo, o chung mo ou Rota Principal que passa pelo centro do corpo, mudou para acompanhar o caminho interno do meridiano dos rins e assim se tornar mais acessível a penetração das agulhas do terapeuta. Ele também percebeu que o padrão de doenças na China mudou em paralelo com as mudanças históricas e sociais, da mesma forma que os historiadores no ocidente comentam sobre como certas doenças que se tornam moda e as pessoas passam a ser atacada por elas. A neurastenia e a pólio eram uma praga à 50 anos atrás e agora é a vez da Aids, do câncer de mama, da fadiga crônica de da fibromyalgia.

Será que o qigong vai se fundir com a psicologia profunda?

Naturalmente que estes ciclos de doenças da moda mudam da China para a América. Assim que a atual geração de professores e terapeutas americanos de qigong amadurecerem, vão tomar uma direção bem diferente do atual estabelecido qigong chinês, que acredito ser sexualmente muito conservador, sem nenhuma profundidade psicológica para a mente ocidental e de sem enfoque espiritual. Muitos terapeutas especializados em doenças mentais visitando a China constataram a infantil tendência chinesa de classificar sérios distúrbios mentais com rótulos simplistas da Tradicional Medicina Chinesa. Por exemplo, eles podem ignorar totalmente as complicadas causas emocionais que estão por trás da séria depressão de um homem atribuindo a isto, uma física disfunção do pulmão. A tendência da Medicina Tradicional Chinesa em somatizar excessivamente todos as complexas doenças mentais e emocionais, é na minha opinião, uma resultado da lobotomia espiritual que esta medicina sofreu, realizada pelos sistematizadores Maiostas da moderna Tradicional Medicina Chinesa.

 Contrastando com tudo isto percebemos que os terapeutas americanos e seus pacientes, estão sendo bombardeados com técnicas e idéias que surgem da psicologia profunda, da teoria dos chakras hindu, do chamanismo das inúmeras tradições de meditação e outros tipos de tratamento alternativo junto a numerosas e úteis idéias e descobertas científicas. Os terapeutas sérios não podem e não devem ignorar tudo isto para seguir uma modalidade purista de tratamento Qigong.

Esta diversidade de tratamentos científicos não estão disponíveis para a maioria dos antigos ou modernos criadores do qigong. Por exemplo, eu descobri que a técnica de movimento Feldenkrais, (Moishe Feldenkrais criador de método de conscientização corporal) realizados na posição deitado com a coluna livre da gravidade, tem ajudado a apressar o tempo de aprendizado do sentido do movimento concentrado sem esforço no Taijichuan (Tai Chi) ou gigong. O mesmo acontece com as descobertas de Alexandre(Fredric Matthias Alexander criador da técnica de relaxamento de tensões memorizadas pelo corpo). Embora a verdadeira prática de gigong englobem os principio de Feldenkrais e do método Alexandre, estes podem ser mais eficientes para esclarecer aquilo que está em estado latente dentro do qigong. Você poderia discordar dizendo que eles ensinam o movimento sem esforço sem compreender o fluxo do qi. Mas mesmo assim eu incluiria suas técnicas como uma evolução do programa de treinamento do qigong.

O qigong sexual e espiritual foi suprimido na China?

Por outro lado, os elementos do cultivo clássico do qigong Chinês que seria da maior importância para a psicologia profunda ocidental e para a solução de nossa profunda crise de identidade foi suprimida pela instituições médicas e de gigong da China. Em 1983 escrevi em parceria com Mantak Chia o livro Os Segredos Taoistas do Amor: Cultivando a Energia Sexual Masculina: ele se responsabilizava pela técnica e eu a colocava num contexto ocidental. Desde então tenho treinado milhares de homens e mulheres usando as práticas do neigong (trabalho interno) para curar frustrações sexuais, impotência e outras disfunções, dificuldades menstruais, com o orgasmo, e a esclarecer a confusão de como a energia sexual reciclada pode ser utilizada no aumento da criatividade e na meditação.

Mas esta prática neigong sexual teve que se transformar rapidamente para se adaptar a uma nova e totalmente diferente identidade emocional e sexual. Diferentemente dos chineses os ocidentais são culturalmente bombardeados por propagandas sexuais, estereótipos sexuais criados pelos filmes, etc. O sexo é uma obsessão nacional (veja Bill Clipton) então o sexo é utilizado de uma forma completamente diferente da cultura chinesa. Já que os ocidentais dão tanta importância ao sexo, acho que o Kung Fu sexual seria uma porta natural através da qual podemos entrarmos profundamente em contato com nossa saúde física, emocional e espiritual. O primeiro passo é aprender a limpar o campo emocional através dos seis sons que transformam emoções negativas em positivas e a abrir a Órbita Microcósmica para reciclar a energia sexual e encaminhá-la para os centros mais elevados do corpo-mente. Praticando apenas estes dois itens, eles esquecerão sua obsessão sexual e a transformarão em um meio de cultivar o prazer em construir uma energia refinada e um corpo espiritual. Porque estas práticas não estão disponíveis no sistema de qigong da China atual? Durante minhas viagens através da região Han (grupo étnico dominante) da China, percebi pessoalmente e claramente o quanto a libido ali estava reprimida o que não acontecia nas regiões de grupos étnicos minoritários. A repressão sexual na China é parte de um modelo político repressor. O que me lembra as teorias de Wilhelm Reich, um pensador revolucionário que morreu na prisão nos Estados Unidos na década de cinquenta, por ter criado a teoria do orgone, sua versão do qi ligado a vitalidade sexual. Se ele estivesse vivo hoje, provavelmente concordaria que a supressão na China do neigong sexual serve ao controle das liberdades individuais, e para fortalecer o poder da autoridade social quer seja ela de um Imperador ou de um partido comunista.

Eis aqui a razão porque a Tradicional Medicina Chinesa estabelecida na China atual não esta ensinando o Kung Fu sexual nos seus programas. Sem dúvida que parte da má reputação destas técnicas nasceu do mau uso que alguns práticantes fizeram dela. Contudo a essência sexual "jing" faz parte de um dos Três Tesouros tradicionais. Será que deveremos ser tão puritanos a ponto de também retirar esta técnica dos programas de qigong da América, e ignorar o caos da nossa repressão sexual como a causa maior das doenças crônicas? Até mesmo Freud concordaria comigo.

Os Taoistas que a maior parte do tempo eram rebeldes, quebrando as regras de Confucio, consideravam a administração da energia sexual como um passo essencial no processo de trabalho interior. Os verdadeiros praticantes nunca usaram esta técnica com promiscuidade ou para vampirizar as energias de donzelas, mas para proteger sua saúde e se apossar do poder da energia "jing" dos rins. Apenas uma pequena parte dos fundamentos da meditação da alquimia interna permite que nosso espirito shen penetre profundamente no centro da essência da energia sexual do corpo "jing". A energia qi é apenas aquilo que relaciona, um caminho fluido ligando o shen e o jing, a mente-corpo continuum.

Aprendi estas técnicas de Mantak Chia, que as recebeu de um eremita chamado Nuvem Branca. Ele vagueava do Norte da China para as colinas distantes de Hong Kong para escapar de início dos japoneses, e mais tarde, da perseguição dos comunistas. Mas as sete fórmulas de Nuvem Branca que eram parte dos tesouros da civilização espiritual da antiga China, lapidadas durante milhares de anos de prática e é o assunto principal dos 1160 volumes da "bíblia" taoista, foram excluídas do moderno qigong ensinado pelo sistema médico atual chinês. Estes tradicionais métodos neigong de trabalhar a medicina interna ou elixir, foi também suprimido por razões políticas.

Estes são os motivos pelos quais não aceito que a América copie cegamente os métodos padronizados da Tradicional Medicina Chinesa. Acredito que os métodos de treinamento da Tradicional Medicina Chinesa atuais, é inadequada à mente-corpo das pessoas do século 21. A Tradicional Medicina Chinesa não é verdadeiramente "tradicional" e é chamada jocosamente por alguns pesquisadores de "Truncada Medicina Chinesa" porque se retirou dela, todos os aspectos de cultivo espiritual ou shen (alma ou espirito) que formavam a parte essencial dos escritos clássicos.

A Tradicional Medicina Chinesa procura até falar do espirito ou da teoria do shen, mas na verdade trabalha com protocolos de números para as agulhas que enfatizam o restabelecimento do qi nos 12 meridianos secundários do coração, rins etc. Os pontos de acupuntura ainda possuem os antigos nomes tradicionais, mas nenhuma cura espiritual é mencionada nos textos modernos.

A Medicina Clássica Chinesa usava um modelo alquímico do jing, do qi e de shen, ensinando a transformar um no outro. Os oito Canais Especiais (maravilhosos) Jing Shen inspirados no I Ching (Yi Jing), foram sumariamente retirados dos textos dos livros médicos pelos Maoistas nas décadas de 50 e 60, porque viam em qualquer coisa que mencionasse a espiritualidade ou a transformação do qi em shen, como algo ultrapassado e feudal. A terapia da alma era considerada anti-científica, superstições inaceitáveis ao olhos dos lideres comunistas que queriam construir uma China Moderna e científica. Talvez também temessem parecer ridículos perante os olhos dos doutores ocidentais, e perder pontos na guerra da imagem propagandista com o ocidente.

Alquimia é Psicologia Profunda + Qi

Fiquei completamente fascinado quando aprendi pela primeira vez a fórmula alquímica clássica chamada Fusão dos 5 Elementos que ensina a condensar o qi and jing numa pérola que controla os oito Canais Especiais (Maravilhosos) ou Canais Psíquicos. A fórmula seguinte trata de uma interessante alquimia sexual, a iluminação nível um de Kan&Li (água e fogo- Lesser Kan&Li), que trabalha com o Yin e Yang Jing Shen ou corpo espirito. Você treina os órgãos vitais para se acasalar dentro do canal principal no corpo e restabelecer sua Yuan Shen (mente original e primordial).

Estas fórmulas Taoistas são equivalentes ao trabalho da psicologia profunda, mais parecidas com a integração Yin e Yang, a teoria dos cinco elementos e o mapa detalhado dos canais de energia do corpo da Medicina Chinesa. Consegue-se com isto uma maneira prática de trabalhar com o inconsciente e o sistema nervoso autônomo. Num nível místico mais elevado você aprende a dissolver os limites entre você e a natureza, o sol, a lua e os corpos celestes. Assim como nas práticas do neigong sexual, acho que estas fórmulas precisam se adequar numa nova linguagem adaptada a mente ocidental. O sistema chinês de atribuir a responsabilidade de uma emoção a um único órgão vital é muito primitivo para a complexidade de um ego ocidental. Nossas emoções tendem a se manifestar em algum lugar entre os órgãos e os meridianos. Ë bem possível que nossas emoções podem estar enterradas em localizações diferentes ou em diferentes níveis sutis de energia que as dos chineses.

Eu pratiquei estas fórmulas com excelentes resultados. Porém no inicio fiquei confuso por não encontrar nem uma alusão a elas nos livros de qigong e nos tratados da Medicina Chinesa, mas somente nos textos antigos. Apesar de ter aprendido no decorrer do tempo que estes meridianos especiais ou maravilhosos e a técnica tradicional dos 5 jing shen trazem resultados mais rápidos, mais simples, na cura do corpo-mente. Isto se deve ao fato de que os 5 jing shen (espíritos do corpo) e os oito canais profundos alimentarem os órgãos vitais e os 12 meridianos secundários (coração, baço, etc.). Um grande número de Acupunturista e terapeutas estão tentado recuperar os conhecimentos deliberadamente escondidos na atual medicina Chinesa.

Um mestre qigong afirma que foi feito um estudo na China que prova que o trabalho realizado nos clássicos oito canais maravilhosos foram muito mais bem sucedidos do que os realizados segundo as regras da Tradicional Medicina Chinesa, mas que os resultados não foram liberados ao publico, porque os oficiais não queriam causar distúrbios na gigantesca instituição da Tradicional Medicina Chinesa. Infelizmente não pude checar ainda estas informações. A informação realmente importante para os terapeutas da comunidade qigong é que estes oito canais especiais podem ser mais facilmente alcançados por práticas neigong ou por emissão de qi do que pelos métodos da acupuntura. Estes métodos drenam menos energia do terapeuta do que o trabalho nos meridianos secundários. Parece que quanto mais perto do centro você trabalha mais forte se torna o tratamento.

Andei conversando com o Dr. Yang Yaun Jing o mais famoso mestre de emissão de qi (o mais pesquisado pela ciência acadêmica em toda a China) sobre a atitude da China a respeito da terapia shen. Tive a oportunidade de sentir a forte emissão de qi deste mestre em uma sessão e percebi o quanto ela era poderosa. Ele hesitou em responder e quase sussurrando me disse, "Ninguém fala sobre isto. O governo não gosta de falar sobre isto. Quando alguém como eu desenvolve os altos poderes na habilidade de mover o qi, passa a ter experiências muito estranhas para o comum das pessoas. Eu já vi o espirito das pessoas deixando o corpo quando morrem, mas não podemos falar nisto profissionalmente. Muitas pessoas que possuem um grande conhecimento de emissão do qi tem dificuldade em conviver com estes poderes e fecham os canais de conexão com a energia shen."

Como vamos responder estas questões aqui na América? Temos excelentes instrutores de qigong trabalhando em artes marciais, que tendem a se concentrar no treinamento do "fa jing" ou descarregando uma energia densa nos órgãos vitais dos oponentes para vencê-los. Num nível elevado isto pode até matar, o órgão é tão profundamente atingido que para de funcionar. Temos muitos poucos professores de qigong médico, que se concentram em usar esta mesma energia para curar. Sabemos que este conhecimento pode reparar tecidos, curar o câncer, dissolver tumores etc. isto difere os terapeutas chineses dos outros tipos de terapeutas energéticos Americanos como os de Reiki e Cura Prânica. E temos ainda menos professores do nível qigong trabalhando no nível shen. Temos bem poucos programas de treinamento em cura e eles variam muito na sua forma.

Será que esta nascendo um novo modelo de qigong Americano?

Para responder esta pergunta é que foi criada a Associação de qigong USA ou o NQA, uma organização formada por 200 instrutores, terapeutas alunos e membros. Foi criada recentemente um Comitê de Qigong médico para chegar a um consenso sobre como o programa de treinamento de qigong pode ser uniformizado no século 21. Me inseri nesta associação há dois anos atrás porque me fascina a idéia de criar um família nacional de amantes do qigong. Eu já tinha vivido um grande aprendizado e uma experiência maravilhosa de troca com a comunidade Healing Tao e queria construir o mesmo tipo de interação com os outros praticantes de qigong e seus diferentes estilos. Eu queria ajudar a construir um novo modelo de qigong americano livre de qualquer escola. Atualmente sou o presidente da NQA o que me deu uma ampla visão dinâmica do que esta acontecendo na comunidade nacional de qigong. O NQA pediu a Jerry Alan Johnson, que está trabalhando numa pesquisa que vai se transformar em um livro de 800 paginas sobre a terapia Medica de Qigong para ser aplicado nas clinicas, para criar um comitê médico de Qigong. Jerry é um praticante de artes marciais que se tornou terapeuta e é um apaixonado pelo assunto. Ele defende o programa atual de avaliação e ensino da Tradicional Medicina Chinesa, uma posição que não é endossada universalmente no comitê, incluindo eu, pelas razões aqui citadas. Contudo sou muito grato ao Jerry por procurar manter em alto nível os aspectos mais importantes do qigong. Porém o desejo de Jerry em utilizar os métodos aceitos dos programas da medicina tradicional Chinesa (exames de emissão de qi) para avaliar profissionais de qigong, levou a um erro que é preciso ser retificado.

Os Americanos não aceitam exames de Qigong

Há muitas razões que explicam porque a comunidade americana de qigong não aceita o sistema chinês de exame realizado por um conselho para credenciar os terapeutas de qigong. Uma é legal. Na China a instituição médica da Tradicional Medicina Chinesa é subjugada ao forte poder da estrutura do governo e é impossível brigar legalmente se alguém discordar de seus pareceres. Na América se o resultado de uma banca examinadora lhe desagradar você processa judicialmente. Ë por isso que a associação de acupuntura não dá credenciamento, só treina. Uma outra instituição contratada que não esteja envolvida com nenhuma escola, realiza os exames escritos baseados em um programa padronizado, criado para sobreviver a qualquer processo que por ventura algum aluno descontente com os resultados venha a instituir. Mas um exame escrito não pode testar o qi de um candidato. Isto nos leva de volta a diversidade dos programas de treinamento de qigong que depende do teste realizado por um professor, quando ele acha que o aluno está pronto.

Desde 1982 o Healing Tao testou mais de 600 instrutores espalhados por todo o mundo para ensinar diferentes níveis de habilidades, numa curva piramidal cuja base esta cheia de instrutores para iniciantes e muito poucos com certificados mais elevados. Isto torna o Healing Tao o maior e mais antigo sistema que já enfrentou o problema de certificados ou treinamento de qigong. Novos alunos chegam ao Healing Tao em busca de certificado após muitos anos de treinamento em Taijiquan realizado em outras escolas. Eles só recebem o certificado após um ano de prática e 160 horas de treinamento extra com os professores credenciados para ensinar os Seis Sons que curam e a programa para iniciantes da Meditação do Sorriso. Mas mesmo assim eles podem não passar nos exames de enraizamento das posturas do Iron Shirt Chi Kung ou conseguir poder suficiente para mover energia realizando uma forma curta de taijiquan chi kung. Porque eles não conseguem passar nos testes? Por exemplo alguns podem não ter aprendido os nove níveis de energia de fazer o taiji ensinado em nossa escola e naturalmente estão habituados a fazer a forma que aprenderam diferente em suas escolas. Há vários egos partidos esperando anos por um certificado de taiji. Mas o fato de estarem entre amigos, alguns no mesmo barco, torna tudo isto tolerável.

Certificar alunos através de emissão de qi traz inúmeros problemas. A pessoa pode estar num mau dia, outras não são boas quando estão sendo testadas embora sejam excelentes. Pelo menos as pessoas sabem as regras básicas do sistema para estes testes. Problemas surgem quando alguém obtêm o credenciamento por razões políticas pessoais do que por serem qualificadas. O sistema Healing Tao funciona, por que em última instância há Mantak Chia, que todo mundo aceita como ultima palavra para o melhor ou para o pior.

Posso prever estes problemas multiplicados 10 vezes num exame nacional de emissão de qi. Os candidatos viriam cheios de expectativas de diferentes formas de treinamento qigong – uns concentrados em mover o jing, alguns treinados em qi e outros despertando o shen. Seria mais fácil se um programa nacional de treinamento padronizado já estivesse sendo adotado e usado nas diferentes escolas e por diferentes professores. Mas não haveria uma figura única cuja voz tivesse o poder de decisão para tornar a tarefa mais simples.

Na verdade o qigong americano está dando os seus primeiros passos. Seriam necessários alguns anos de trabalho para que nascesse uma forma consensual sobre como avaliar um programa padronizado de treinamento e se seria necessário um sistema de licenciamento feito por testes. Foi preciso uma grande quantidade de escolas e organizações de acupuntura e sete anos de trabalho para organizar um corpo nacional de acupuntura, o AAAOM. Por isto o NQA e outras associações de qigong americanas precisam começar agora este espinhoso trabalho. É um longo caminho. Se não realizarmos isto, o AAAOM ou alguém mais, pode tentar regulamentar o tratamento qigong ou engloba-lo como parte de seu treinamento que já deve estar em fase de ser licenciado. Enquanto as associações de qigong ainda discutem sua organização, há um mecanismo de auto regulação funcionando – o mercado. Os maus instrutores e os charlatões terão uma curta vida financeira, caso não levem seus clientes e alunos a obterem bons resultados.

O NQA tem também um conselho de programa de qigong que está criando um diálogo nacional amplo para chegar a um consenso sobre um padrão de treinamento básico para garantir o trabalho em hospitais, escolas ou ensinar as fórmulas básicas de qigong. O NQA aceita que as instituições queiram ter a garantia de contratar um profissional que tenha tido um treinamento padronizado, montado por uma instituição como o NQA.

Porque é necessário todo este trabalho? Percebo que dentro de 10 anos a maioria das escolas de acupuntura e medicina chinesa vão colocar nos seus programas o treinamento de qigong, porque ambos os acupunturistas e seus pacientes iram pedir. Assim que os Americanos compreenderem melhor a energia qi, vão perceber que é o qi do acupunturista e não as agulhas sozinhas que é o instrumento principal e poderoso de cura.

Especialistas em Qigong versus Instrutores de Qigong

Também me interessa o problema entre os profissionais que são treinados para ensinar de uma forma pessoal e os que são treinados em emissão de qi e diagnóstico. Qual o melhor resultado de recuperação de doenças nas estatísticas dos hospitais ocidentais que usam o profissional de qigong? Será melhor com os especialistas com um maior tempo e um treinamento mais carp ou é melhor criar um exército de instrutores de qigong com um treinamento mais rápido sem licença para diagnosticar? Profissionais que ensinassem uma grande parte da população a evitar as doenças e diminuir com isto as hospitalizações? Ou seria melhor preparar um grande número de especialistas altamente treinados em terapia qigong?

Fiz estas perguntas para o Ken Sancier, PHD cientista e presidente da Institute Qigong. As estatísticas apontam um maior sucesso em cura com aplicação de qigong na China no uso de especialistas ou com os instrutores de qigong que dão aulas em escolas e parques ou nas clinicas? Ken procurou os dados de Qigong no seu computador usando o códico waiki que significa emissão de qi:

Tratamento medico

636

Waiki 57
Waiqi + tratamento medico 22
Emissão + q 21
Emissão + qi + tratamento medico 0

 

Ken me informou que estes resultados apenas informam como se está usando pouco a o waiqi ou a emissão de qi em estudos de tratamentos médicos. "Fazer uma avaliação dos tratamentos pessoais é mais difícil porque eles usam diferentes nomes para as formas de gigong."

"Alguns estudos fantásticos já existem sobre o uso da prática pessoal de qigong. Principalmente os realizados à 30 ou 20 anos atrás no Instituto de Hipertensão de Shangai onde pesquisas demonstraram que a prática pessoal diminuiu a incidência de mortes em 50% comparada a um outro grupo que não praticava. As pesquisas apontam também para a melhora nos níveis hormonais, na densidade óssea, na circulação do sangue para o cérebro" conclui Ken.

As análises de Ken demonstram que a emissào de qi não é o fator mais importante do sucesso destes estudos. Isto não deve ser mal interpretado. Há espaços para ambas as vertentes; os especialistas e os praticantes da terapia qigong. Há espaço para os terapeutas com treinamento especializado que poderiam atuar com os casos mais graves em hospitais, já que teriam o respeito pelo seu alto treinamento. Há espaço também para os professores e pacientes que não gostam de trabalhar nestes lugares frios e esterilizados, sentindo um cheiro estranho de hospitais e que acham melhor trabalhar de uma forma mais pessoal e agradável. A credencial deste grupo ficaria por conta do sucesso nos resultados atingidos com seus pacientes e alunos.-, na sua reputação e confiança pessoal.

Sei disto porque trabalhei durante os últimos 10 anos praticando a terapia de qigong na minha casa com diversos tipos de disfunção sexual e emocional, com trauma de câncer e Aids. Nas primeiras sessões sinto que o paciente se sente mais confortável ao saber que tenho um credenciamento. Mas será que eles realmente distinguem a formação de um instrutor da organização Healing Tao e a instrução acadêmica padronizada numa escola médica chinesa? Duvido que saibam. Eles querem algo miraculoso. Se consigo que experimentem os milagres do qigong em qualquer nível; jing, qi ou shen ( para eles, corpo energia e espirito) terminamos ambos satisfeitos.

Após a primeira sessão com meus clientes tudo o que conta são os resultados. Isto porque os ocidentais têm duvidas sobre a terapia qigong. Peço a meus clientes que voltem somente se obtiveram bons resultados. Invariavelmente os melhores resultados obtidos se devem ao fato do cliente sentir que ele mesmo está envolvido no processo de sua cura ao praticar os exercícios , ao mudar sua alimentação, sua respiração, seus hábitos emocionais e sexuais, quando aprendem a administrar seu próprio desequilíbrio de qi. Mesmo quando envio qi para seus 8 canais maravilhosos ou quando entro em contato com os 5 jing shen, faço-os participar de meu trabalho com sua respiração e a concentração de sua mente.

Tento evitar o modelo alopático do paciente que diz "doutor me concerte", deitando-se numa mesa e caindo num estado de torpor inconsciente. Se agisse assim meu qi seria visto como um substituto das drogas e estes pacientes ficariam dependentes de mim. Tento desenvolver um trabalho cooperativo com o paciente dentro do novo modelo de cura, eu nem os chamo de pacientes e sim de clientes ou alunos. Quando eles chegam a sentir a alegria espiritual – posso chama-la de amor, e isto não os torna dependente, torna-se uma demonstração da confiança no seu terapeuta, assim fica mais fácil a mudança no cerne daquilo que os faz se sentir doentes e os faz sentir o seu poder pessoal de auto cura. Isto tudo é uma integração do shen gong com a moderna terapia qigong.

Estatísticas nos bilhões de dólares faturados pela medicina alternativa sugerem, que as pessoas estão mais interessadas na eficiência do tratamento proposto e das aulas, do que nos credenciamentos institucionalizados de seus terapeutas. As pessoas estão se conscientizando de que os credenciamentos dos médicos oficiais não curam ninguém. Os médicos super credenciados em grandes escolas de medicina e com uma alta reputação social não conseguem curar as doenças crônicas. As estatísticas mostram que médicos credenciados ajudaram de 100.000 a 600.000 pessoas (a maioria velhos) a morrer pelos efeitos colaterais de drogas receitadas para aliviar os sintomas de doenças crônicas. A maioria destas mortes, que são mais numerosas do que as estatísticas de soldados mortos em guerra, poderiam ter sido evitadas com o tratamento qigong.

Talvez seja necessário uma grande crise na medicina americana para que as pessoas acordem para os maravilhosos resultados de uma terapia qigong. Tudo depende de nós os professores e praticantes de qigong procuramos desenvolver uma nova forma de ajustar o qigong à mente moderna dos americanos.

Michael Winn tem 20 anos de experiência como professor internacional de qigong. Autor do livro Os Segredos Taoistas do Amor (editora Roca) e escritor de 5 dos livros de Mantak Chia. Ele é o presidente da associação de instrutores do Healing Tao e Presidente da associação NQA de qigong americana e professor de artes taoistas da Universidade de São Francisco. Fundador da Universidade Healing Tao em Big Indian. Seus treinamentos de Alquimia Interna são considerados como credito para credenciamento oficial de B.A nos Estados Unidos. Seu telefone para informações é 888-432 5826

No Brasil temos apenas uma instrutora credenciada pelo Healing Tao Internacional. Para maiores informações:

Ely Britto

Autora do Livro I Ching Um Novo Ponto de Vista - Editora Cultrix e tradutora deste artigo escrito por Michael Winn

Rio de Janeiro – tel – 021-294 1134


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